Imagem: Iuzuri
Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Advertência do MMCT
Marcadores:
Blogs discentes,
LOPEZ A P A,
MMCT,
Projeto,
Proposta,
Universidade
4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação
A 4ª CNCTI vai debater e formular propostas voltadas para a consolidação de uma política de Estado, Ciência, Tecnologia e Inovação, tendo em vista o Desenvolvimento Sustentável do País. Trata-se de uma agenda estratégica para o futuro da Nação e que requer a participação efetiva de representantes dos órgãos públicos, empresários, comunidade científica e organizações da sociedade civil.
Inscrevam-se aqui até o dia 19/05.
Poderíamos todos nos inscrever e transferir a aula do dia 27 para lá. O que vocês acham da ideia?
Inscrevam-se aqui até o dia 19/05.
Poderíamos todos nos inscrever e transferir a aula do dia 27 para lá. O que vocês acham da ideia?
Marcadores:
Ciência e Sociedade,
Eventos nacionais,
LOPEZ A P A,
MCT,
PPGCINF,
Programação
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Educação: para onde vamos?
Continuando a discussão sobre os rumos da universidade brasileira, o Correio Braziliense de ontem publicou um ótimo texto de Issac Roitman sobre o papel da universidade para alavancar o desenvolvimento nacional e sobre a importância de o país ter uma postura real, condizente com o discurso, que até o momento, historicamente falando, não ultrapassou os limites da demagogia política. É importante ainda alertar para o perigo do investimento maciço, sem qualidade, no ensino básico às custas do sucateamento (estrutural e pessoal) das universidades públicas.
Sugestão de atividade:
Leia e comente o texto abaixo:
Educação: para onde vamos?
Isaac Roitman
Membro titular da Academia Brasileira de Ciências e coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Na maioria dos países, os sistemas educacionais estão sendo revistos. Espera-se que a educação prepare os jovens para o mundo do trabalho, para sua independência econômica, para que eles possam viver de forma construtiva em comunidades responsáveis e para que possam conviver e compreender a diversidade cultural de uma sociedade que se transforma de uma forma muito rápida. Espera-se que a educação ajude os jovens a construírem suas vidas em um cenário de futuro que ninguém com certeza pode predizer.
No Brasil, há muitas décadas todos os governos proclamam que a educação é sua meta prioritária. Proclamação demagógica e enganosa. Segundo todos os índices e pesquisas nacionais ou internacionais, a qualidade da educação brasileira é cada vez mais vergonhosa, constituindo-se como a maior das tragédias nacionais. O papel do educador enquanto facilitador da liberdade de aprendizagem para transformar socialmente os indivíduos não passa de uma intenção não concretizada na educação brasileira.
Ainda durante 2010 o Congresso Nacional definirá o Plano Nacional de Educação (PNE), estabelecendo as metas e prioridades para o período de 2011 a 2020. A discussão será baseada nas proposições que deverão emergir da Conferência Nacional de Educação (Conae), evento que terminou no início de abril. Certamente, nossos parlamentares terão um cardápio de ações relevantes para a melhoria da qualidade de educação em todos os níveis.
O PNE atual, assim como os anteriores, deverá pautar as ações necessárias em várias dimensões para mudar o cenário da educação do país: 1. Qualificação de professores com formação científica atualizada, adequada e comprovada; 2. Condições de trabalho que permitam a atualização permanente e acesso às metodologias modernas do ensino e aprendizagem; 3. Remuneração atrativa; 4. Substituição de conteúdos inúteis por exercícios de criatividade, crítica e de resolução de problemas; 5. Arquitetura escolar adequada; 6. Gestão eficiente; e 7. Avaliação interna e externa. Ou iniciamos agora uma verdadeira revolução na educação ou estaremos a lamentar nas próximas décadas ter perdido mais uma oportunidade de sermos protagonistas da transformação social que nosso povo merece.
Sempre é bom lembrar e destacar que há algumas décadas vários países decidiram eliminar a tragédia da educação que os assolavam. Esses países não estavam em situação muito diferente da nossa. Vamos lembrar o exemplo da Coreia do Sul, que na década de 50 do século passado estava destruída por uma guerra civil que dividiu a Coreia ao meio e a maior parte da população vivia na miséria. Um em cada três coreanos era analfabeto. Hoje, oito em cada 10 chegam à universidade.
A transformação começou com uma lei — integralmente respeitada — que tornou o ensino básico prioridade. Inicialmente, os recursos foram concentrados nos primeiros oito anos de estudo. Os frutos dessa decisão não demoraram a serem colhidos. O país começou a crescer rápido, em média, 9% ao ano, durante mais de três décadas. Hoje, graças à sólida massa crítica de cientistas que forma todos os anos, a Coreia está pronta para entrar no Primeiro Mundo, tendo como cartão de visita uma incrível capacidade de inovação tecnológica.
Poderíamos pensar que os coreanos perderam a inquietação dos anos 1950. Ledo engano. Em dezembro de 2009, um documento foi elaborado pelo Ministério da Educação e Ciência e Tecnologia daquele país: Políticas e planos para 2010. Uma das metas seria o estímulo à criatividade na educação, sobretudo na básica. A meta envolvia a redução dos conteúdos e o incentivo ao domínio das linguagens, da matemática, dos estudos sociais e da ciência, da consciência da diversidade cultural, da habilidade para solução de problemas e da capacidade de trabalhar em grupos.
Temos que decidir agora qual país legaremos aos nossos descendentes. Se nada fizermos, seremos no futuro uma sociedade com graves injustiças sociais, com índices assustadores de violência, com total desrespeito ao próximo e outras mazelas amplificadas que temos no presente. Certamente seremos um país colonizado e explorado. O futuro da educação está em nossas mãos. Cabe a todos nós decidir para onde vamos.
Fonte: Correio Braziliense, 11/05/2010. p.19
Marcadores:
Ensaio jornalístico,
LOPEZ A P A,
Participação aberta,
PPGCINF,
Universidade
terça-feira, 11 de maio de 2010
Ciência ao meio-dia
Ocorrerá nesta 4ª, 12/06, bate-papo sobre O uso de blogs no ensino de graduação: relatos de experiencia no ensino médico e em cursos de Ciência da Informação, coordenado pelos profs. Marcelo Hermes Lima e André Porto Ancona Lopez.
Local: auditório da Faculdade de Ciência da Informação (ex- Departamento de Ciência da Informação-CID), ao lado da biblioteca.
Divulgue e compareça.
Marcadores:
Blogs discentes,
Eventos locais,
LOPEZ A P A
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Pesquisa mostra que das duas uma: os homens são mentirosos ou gays.
O eterno problema da solidez dos dados e da sistemática da pesquisa voltou à tona no início de maio, quando o Correio Braziliense resolveu reproduzir dados de pesquisa sobre sexualidade da população brasileira (baixe aqui a reportagem completa). A reportagem, tal qual um papagaio bem treinado, limita-se a reproduzir os gráficos (ou elabora gráficos com dados da pesquisa, não fica claro) de um obscuro projeto chamado "Mosaico Brasil", que supostamente entrevistou 8 mil pessoas. Ao googlar "Projeto Mosaico Brasil" não fui direcionado para nenhuma página específica, apenas para notícias papagaiescas similares. O Lattes da pesquisadora responsável tampouco aponta para o projeto. Uma apresentação em power point, de 2008, com números "n" bem inferiores a 8.000 está disponível na web.
Sugestão de atividade:
Analise o gráfico abaixo e explique a discrepância entre os dados de frequência sexual entre homens e mulheres.
Esclarecimento: a ilustração do post não tem nada a ver com a pesquisa "Mosaico Brasil", mas pela seriedade apresentada pela grande imprensa, está quase lá...
Marcadores:
Base empírica,
LOPEZ A P A,
Participação aberta,
Sexo
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Esclarecimento sobre as eleições da ADUNB
O objetivo deste blog é ser um instrumento de apoio pedagógico, que fomente à discussão sobre metodologia em ciência. As questões institucionais são entendidas aqui como indissociadas do processo de produção de conhecimento científico. Uma das falsas polêmicas discutidas por todas as "facções" da greve é sobre a questão ser política ou jurídica. Na minha opinião, ambas e nenhuma, porque o ponto mais importante têm sido relegado que é o aspecto CIENTÍFICO.
Fiquei positivamente surpreso com o link do blog estar presente em uma das chapas, a despeito de eu não haver manifestado publicamente meu apoio a nenhuma delas. Espero que algumas das questões que coloco aqui sejam, de fato, discutidas no âmbito da Associação de Docentes da UnB, que não pode ser apenas um movimento sindical, desvinculado das questões científicas. Tomara que esse tipo de atitude seja replicado e que, independentemente de qual venha a ser o resultado do pleito, a ADUNB passe a se preocupar também com as questões de fundo relacionadas à produção do conhecimento científico, que é a nossa principal expertise e obrigação como docentes de universidades publicas. A dedicação integral é pensada justamente para que possamos nos dedicar à pesquisa. Por essa razão, omito-me de declarar publicamente minha preferência por esta ou aquela chapa e, ao invés disso, busco fomentar o debate científico a partir das propostas de cada uma delas.
Sugestão de atividade:
Acesse as páginas de ambas as chapas e:
a) analise o espaço dado às questões científicas;
b) acesse os Lattes dos componentes e verifique se a vivência científica dos docentes-candidatos é condizente com as propostas científicas;
c) analise a existência de links extra-página que remetam para urls dedicadas à ciência e à pesquisa.
Eis os links de cada chapa:
Marcadores:
Adunb,
Lattes,
LOPEZ A P A,
Participação aberta,
Universidade
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Qual é a universidade que temos e qual a universidade que queremos?
Em recente divulgação via blog o renomado professor Simon Schwartzman esboçou uma proposta para modificação da pós-graduação brasileira, com severas críticas ao sistema atual, baseado na extrema centralização pela CAPES. (acesse aqui o post no Simon's Blog; acesse aqui o texto integral). Tive contato coma a proposta dois dias após ter a ingrata surpresa de ver que meu contracheque deste mês não contemplaria o prometido pagamento das gratificações atrasadas, anunciado pela autoridade máxima da UnB (acesse aqui uma análise sobre a incongruência das informações oficiais e reais). O clima de ceticismo me acompanhou na leitura do documento do Prof. Simon. Na oportunidade fiz alguns comentários mais genéricos sobre as linhas mestras da proposta, mais voltados para problemas de implementação (acesse aqui os comentários, com a resposta do prof. Simon).
Alguma horas depois o TRF deu perda de causa ao SINTUB, com decisão de corte de 26,05% dos vencimentos dos funcionários da UnB, com indicativo de ainda terem que ressarcir ao erário retroativamente os valores já recebidos. Isso equivale, grosso modo, que cada funcionário deve ao erário 1 ano de trabalho para cada 4 anos trabalhados. Como a ação dos professores ainda não foi julgada, nada impede que o mesmo tipo de olhar seja aplicado no nosso caso. A despeito da nota oficial da reitoria sobre o pagamento integral dos atrasados ainda sou credor da UnB de um valor importante para minhas despesas mensais, que fará com que nesse mês eu tenha que usar minha poupança para poder pagar minhas contas. Sou professor concursado de universidade pública, em tempo integral, desde de 1994. Oriento, publico, produzo e colaboro na administração para não conseguir fechar meu mês e ter uma ameça real (apesar de improvável) de vir a ter que dever cerca de um ano de salário pelo simples fato de ter trabalhado com dedicação??? Hoje de tarde, em conversa promovida pela ADUNB com os advogados que nos representam fiquei mais tranqüilo em saber que essa possibilidade é real, porém improvável. Por ela, eu teria acumulado em cinco anos e pouco de docência da UnB uma dívida de cerca de R$ 72.000,00 !!! Pode ser que o valor não esteja correto, mas dever por ter trabalhado é algo passível de denúncia sobre trabalho escravo às autoridades competentes.
Alguma horas depois o TRF deu perda de causa ao SINTUB, com decisão de corte de 26,05% dos vencimentos dos funcionários da UnB, com indicativo de ainda terem que ressarcir ao erário retroativamente os valores já recebidos. Isso equivale, grosso modo, que cada funcionário deve ao erário 1 ano de trabalho para cada 4 anos trabalhados. Como a ação dos professores ainda não foi julgada, nada impede que o mesmo tipo de olhar seja aplicado no nosso caso. A despeito da nota oficial da reitoria sobre o pagamento integral dos atrasados ainda sou credor da UnB de um valor importante para minhas despesas mensais, que fará com que nesse mês eu tenha que usar minha poupança para poder pagar minhas contas. Sou professor concursado de universidade pública, em tempo integral, desde de 1994. Oriento, publico, produzo e colaboro na administração para não conseguir fechar meu mês e ter uma ameça real (apesar de improvável) de vir a ter que dever cerca de um ano de salário pelo simples fato de ter trabalhado com dedicação??? Hoje de tarde, em conversa promovida pela ADUNB com os advogados que nos representam fiquei mais tranqüilo em saber que essa possibilidade é real, porém improvável. Por ela, eu teria acumulado em cinco anos e pouco de docência da UnB uma dívida de cerca de R$ 72.000,00 !!! Pode ser que o valor não esteja correto, mas dever por ter trabalhado é algo passível de denúncia sobre trabalho escravo às autoridades competentes.
O que isso tem haver com a proposta do Prof. Simon? Tudo e nada ao mesmo tempo. Por um lado não dá para direcionar a vivência e as atividades científicas da universidade para as demandas economicistas e trabalhistas, sob o risco de cair no aparelhamento ideológico, que em nada contribui para o desenvolvimento da ciência. Por outro lado sem professores e funcionários ganhando dignamente (ou pelo menos não vindo a perder o não tão digno salário) não dá para ter condições mínimas de se produzir ciência. Durante a greve tenho tentado trabalhar nos blogs, na orientação de alunos e em pesquisa. No final de semana fechei um artigo que submeti hoje. O artigo foi finalizado tendo como pano de fundo boletins de greve, notícias confusas sobre o pagamento ou não de salários e, por fim, uma consulta bancária para ver de onde vou tirar o dinheiro para o mês. Será que outros professores universitários de países sérios têm esse tipo de preocupação? Será que é possível melhorar realidade brasileira de produção de conhecimento científico sem mexer na falida infraestrutura universitária? Todo começo de ano recebo vários e-mails de ex-alunos de graduação que buscam conselhos para desenvolver uma carreira acadêmica e serem professores universitários. Esse número cai a cada ano. Em 2010 uma ex-aluna, ao se inteirar da atual situação da UnB, simplesmente desistiu, me avisando que acha mais interessante estudar para algum concurso público, de carreira técnica. Hoje os alunos entram e saem do mestrado com um nível de leitura muito baixo, com poucas incursões à obras internacionais. A proposta do prof. Simon, mesmo que feita para começar no ano que vem, não terá efeitos imediatos. No período de 10 anos previstos muitos professores sairão da universidade sem serem substituídos à altura. Engana-se quem pensa que para fazer pesquisa e manter a pós funcionando bastam ter doutores. Doutores o Brasil tem produzido em uma quantidade acelerada, mas, como bem mostra o prof. Simon, sem um reflexo equivalente nos indicadores (sempre discutíveis, mas são um parâmetro) de produção científica.
O dito popular sobre o marido bêbado -- que afirma que é ruim com ele, mas pior sem ele -- se aplica bem à situação atual da UnB: se mantivermos a greve, lutamos por nossa dignidade, contra o sucateamento da universidade (e dos profissionais que nela trabalham), mas continuaremos a paralisar dois terços de suas atividades-fim (o ensino e a extensão) e a improvisar (mais ainda) com a pesquisa. Se voltamos, retomamos as atividades "normais", podendo até sonhar com melhores dias para a pós-graduação, porém assinando em baixo do achacamento sofrido pelos funcionários, que, se voltarem às atividades, estarão 35% menos motivados para desempenhar as atividades-meio, fundamentais para o bom (?) funcionamento da instituição. Por outro, lado, a persistência da greve, que começa a perder fôlego, parece ser incapaz de alterar esse quadro de coisas...
SUGESTÃO DE ATIVIDADE:
O dito popular sobre o marido bêbado -- que afirma que é ruim com ele, mas pior sem ele -- se aplica bem à situação atual da UnB: se mantivermos a greve, lutamos por nossa dignidade, contra o sucateamento da universidade (e dos profissionais que nela trabalham), mas continuaremos a paralisar dois terços de suas atividades-fim (o ensino e a extensão) e a improvisar (mais ainda) com a pesquisa. Se voltamos, retomamos as atividades "normais", podendo até sonhar com melhores dias para a pós-graduação, porém assinando em baixo do achacamento sofrido pelos funcionários, que, se voltarem às atividades, estarão 35% menos motivados para desempenhar as atividades-meio, fundamentais para o bom (?) funcionamento da instituição. Por outro, lado, a persistência da greve, que começa a perder fôlego, parece ser incapaz de alterar esse quadro de coisas...
SUGESTÃO DE ATIVIDADE:
a) ler e comentar o artigo do prof. Simon;
b) indicar seu posicionamento quanto à pertinência ou não da continuidade da greve, seguido de justificativa. Aqueles que são favoráveis ao fim da greve podem assinar o abaixo-assinado blogal do Marcelo Hermes Lima clicando aqui.
Assinar:
Postagens (Atom)

