Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

terça-feira, 19 de abril de 2011

Social Bookmarking uma ferramenta que pode lhe ajudar a administrar os textos da sua revisão de literatura.



Como este é um blog dedicado a metodologia científica, neste post será explorado o potencial do social bookmarking como ferramenta de repositório de textos digitais e anotações sociais. Mas as funcionalidades do social bookmarking não param por ai. Há registros na literatura acadêmica que bibliotecas americanas, canadenses e irlandesas têm usado essa plataforma para desenvolver guias de literatura na web. Assim, vale a pena saber o que é social bookmarking e no que ele pode lhe ajudar.
Mas afinal, o que é social bookmarking? É uma ferramenta que permite aos usuários reunir e organizar links de conteúdo da web. Ou seja, ela ajuda a organizar os seus favoritos!!! A administração de links teve início com a organização de favoritos no browser. Mais tarde, foram desenvolvidas ferramentas com essas funcionalidades na web, por exemplo, o extinto ItList, desenvolvido originalmente em 1996. Nos anos seguintes outras ferramentas foram lançadas, dentre elas destaca-se o BackFlip, o Blink, o Clickmarks e o Hotlink. Porém, nenhuma deles sobreviveu ao estouro da bolha.com.
Então onde está a novidade? Está no fato do social bookmarking permitir tanto armazenar como compartilhar seu repositório com outros usuários, caracterizando assim uma plataforma da segunda geração web, onde estão presentes os conceitos de peering, compartilhamento e inteligência coletiva em rede, impulsionada por um comportamento emergente.
A respeito do tema, a literatura indica uma classificação das plataformas de social bookmarking. Elas podem dividir-se em:
Falaremos aqui sobre o Citeulike e o Diggo por apresentarem características que auxiliam um estudante de graduação e pós-graduação.

O Citeulike apresenta-se como um serviço on-line gratuito de organização de documentos acadêmicos. Está disponível para o público desde novembro de 2004. A plataforma foi desenvolvida por Richard Cameron na Universidade de Manchester. Seu desenvolvedor a classifica como uma fusão de serviços de social bookmarking, baseada na tecnologia web 2.0, com ferramentas de gestão bibliográficas tradicionais.
No primeiro semestre de 2009 a plataforma possuía mais de 2 milhões de documentos etiquetados, tornando-a a principal plataforma de social bookmarking para acadêmicos.
O Citeulike permite que o usuário faça o up-load do seu artigo digital, descrevendo e etiquetando-o, criando assim um repositório digital. E esse repositório pode ser compartilhado com outros usuários do mesmo interesse. Por exemplo, um grupo de alunos que esteja desenvolvendo um trabalho sobre fotografia pode selecionar os textos pertinentes ao tema e incluí-los na biblioteca do Citeulike, permitindo o compartilhamento de informações entre todos os membros do grupo. O interessante, do ponto de vista biblioteconômico, é que o Citeulike possui campos adequados para a descrição de artigos e monografias no todo ou em parte. Para saber mais sobre o Citeulike acesse o vídeo , disponibilizado no Youtube ou a FAQ disponibilizada no site do Citeulike.
Falemos agora do Diigo, apresentada pelos seus desenvolvedores como uma plataforma de pesquisa colaborativa. O Diggo permite inserir recursos da web, imagens e notas do usuário (um caderno de anotações com possibilidades de inserir comentários de outros usuários). A plataforma também permite que se grife um determinado texto. Para saber mais sobre o Diigo acesse o vídeo.
Merece destaque que o Diggo viabiliza o acesso do usuário por meio de qualquer PC, iPhone ou iPad. Mantendo assim o usuário plenamente conectado com às suas informações.
O Diigo vem ganhando destaque nos vídeos de Michael Wesch sobre o futuro da web onde Wesch usa o Diigo para marcar e fazer anotações em páginas da web.
Wesch apresenta vídeos que tratam da revolução da informação em ambiente digital. Enquanto há uns anos atrás comprávamos livros, tirávamos fotocópias e guardávamos esse material em prateleiras, a web 2.0 permite que os usuários comprem livros digitais (Kindle, iPad, GalaxyTab, dentre outros), pesquisem artigos digitais, armazenando-os digitalmente e também fazendo as suas anotações (grifando, sublinhando, inserindo comentários) em formato digital. A respeito do assunto vale a pena conferir o vídeo The Machine is Us/ing Us e o Information R/evolution.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Haiti é aqui; o Haiti não é aqui


Copiado do Portal da UnB do dia 6/abr/2011
Responda rápido e sem preconceitos: você aceitaria um convite para ser professor universitário na Colombia, na cidade de Cali,? Por favor responda de novo e desta vez sem preconceitos. A Universidad del Valle está com 31 vagas abertas para professores de diversas áreas, a maioria em tempo integral (ver aqui). Ainda não se animou? Se olharmos para os últimos dados do ranking Webometrics de universidades, de janeiro de 2011 (acesse aqui), é possível ver a USP na 51ª possição, a UnB na 328ª e a del Valle em 958º lugar.  Somente esses dados, somado ao (infeliz) preconceito generalizado sobre a Colombia, já fariam qualquer profissional "sério" achar que este post é apenas mais uma brincadeira didática para os alunos de metodologia.

No e-mail de divulgação que recebi há um tópico intitulado "Por que se vincular à Universidade del Valle?", que elenca alguns benefícios que para mim, como professor da UnB, são absolutamente estranhos para a minha realidade (talvez sejam mais comuns no universo do poder legislativo brasileiro). Destaco algumas:
  • 16,89 salários anuais, incluídos gratificações e respectivas taxas adicionais sobre elas (exatamente igual ao caso da UnB, onde mal recebemos 13 salários, com corte das gradificações de férias e incerteza sobre o adicional de 26% da URP);
  • após dois anos de efetivação, direito a receber comissão no caso de capacitação para mestrado ou doutorado (exatamente igual à UnB que quer cercear o direito de férias de professores afastados para capacitação);
  • comissionamento para assistir ou participar como representante da universidade em funções didáticas, de pesquisa ou extensão (exatamente igual à UnB que nos paga sempre corretíssimas diárias e nos financia em todas nossas representações);
  • ano sabático (coisa para lá de usual em todas as grandes universidades do mundo, que libera de tempos em tempos seus professores para dedicarem-se integralmente à pesquisa por um ano inteiro, assim como ocorre em todas as IFES brasileiras)
  • bonificações pagas em contrapartida a produtos acadêmicos tais como
    > vídeos, audiovisuais, ou produção sonora de impacto regional ou local (como foi o caso de colegas da UnB que ganharam prêmios no Festival de Cinema de Brasília);
    > obras artísticas que tenham impacto regional ou local;
    > apresentação em eventos especializados (eles pagam mais para quem apresenta trabalhos em congressos!, igualzinho às IFES nacionais);
    > publicações especializadas, incluindo traduções (também pagam mais, assim como nós, aos professores mais produtivos);
    > orientação de teses e dissertações (quem orienta mais recebe mais, quem não orienta recebe menos, "iguar qui nem" aqui).
Já sei, já sei. Tem gente pensando "pena que a Colombia é tão longe", ou "Ok, mas salário não é tudo, como será que é infraestrutura física ?"
Copiado do blog "Ciência Brasil"
Em 1974 o economista Edmar Bacha cunhou o termo "Belíndia", para indicar os contrastes de um país que tem uma elite com riqueza similar aos belgas e um estrato de pobreza equivalente à Índia. Em 1993 Caetano Veloso compôs Haiti, que destaca os contrastes de uma sociedade desigual e hipócrita. Será que a redenção das universidades brasileiras, e o seu posicionamento estratégico em um projeto nacional, só será possível se  um terremoto avassalador, como o que varreu o Haiti no ano passado, destruir a atual estrutura de pesquisa, desenvolvimento e ensino superior? Ou será que os déspotas esclarecidos dos altos escalões, pouco a pouco, darão à sociedade os frutos da atual política para as universidades.


Em tempo: entre a elaboração deste post e sua publicação. um verdadeiro temporal varreu por dentro o maior edifício da UnB. Mostar tais imagens agora poderia soar como oportunismo. A foto das obras do Gama são de ANTES do dilúvio do minhocão.

sábado, 9 de abril de 2011

Livros grátis da UNAM

Copiado do blog "A aventura das palavras"


O Centro Universitario de Investigaciones Bibliotecológicas da Universidad Nacional Autónoma de México coloca à disposição, gratuita, uma serie de livros eletrônicos relacionados a algumas temáticas da Ciência da Informação. Basta acessar este link.



terça-feira, 5 de abril de 2011

Skype conecta professores do mundo

Copiado de Skype Brasil Blog
As redes sociais e a conexão direta entre alunos, professores e conteúdos, independentemente das fronterias físicas da sala de aula, acabam de ganhar mais uma ferramenta: a conexão Skype em nível mundial. O portal educacional colaborativo da RedDOLAC tem trabalhado arduamente para congregar docentes e divulgar ferramentas que possibilitem melhor trabalho conjunto. Os clássicos colégios invisíveis, ao que parece, continuaram invisíveis aos olhos dos indicadores de CT&I, porém estão se tornando cada vez mais virtualmente ostensivos, com amplas possibilidades de participação e co-participação. É importante destacar que as práticas docentes nas redes sociais não se limitam às atividade de ensino; pelo contrário, impulsionam, na sua forma mais aguda, um trabalho de aprendizagem e possibilitam, pelo intercâmbio entre pares (e observação ativa dos "ímpares") novos canais para construção de conhecimento formal e para socialização do mesmo. 

O trabalho com este blog de metodologia busca se inserir neste cenário geral, assim como está sendo feito, desde 25 de maio de 2009, pelo blog de Diplomática e Tipologia (acesse aqui a página de referência, com diversos links sobre a evolução do blog).

Clique aqui para se filiar a RedDOLAC e depois acessar aqui a página de referência do serviço Skype.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Início da turma 1/2011

copiado do blog "The secret Sun"

Hoje, após alguma indefinição quanto aos alunos especiais a serem aceitos na turma, a disciplina de Metodologia, destinada aos alunos regulares do mestrado em Ciência da Informação da UnB, enfim recomeçou, com uma nova turma. O programa atual está compartilhado com a Profa. Sofia Galvão Baptista, que se encarregará de ajudar ao alunos na consolidação dos projetos iniciais de pesquisa. Em um segundo momento, eu me encarregarei de estimular um processo de análise e discussão conceitual, com vistas à reflexão analítica dos alunos sobre os limites de seus projetos.

Como "aperitivo" desta discussão hoje assistimos ao primeiro episódio do seriado "Arquivo X" para estimular a discussão sobre o enfoque científico e a necessidade de provas para a compreensão de um fato (Dana Scully) em contraposição à uma pré-definição anterior ao fato, direcionadora (e seletiva) da interpretação dos elementos investigados para a sua comprovação (Fox Mulder). O vídeo (episódio piloto, da primeira temporada) leva pouco de menos de 50 minutos. Aqueles que não possuem acesso a ele e quiser rever o exercício podem exercitar o inglês em um versão com som original e legendas em vietnamita que encontrei na web. Para não infringir direitos de divulgação, este blog limita-se a incorporar o link apenas: http://www.viddler.com/explore/kso1/videos/12/

O curso tem o seguinte cronograma preliminar:

Data
nª da aula
Tópico
Responsável
24-mar
1
Abertura
André e Sofia
31-mar
2
1. A Ciência e o conhecimento científico:
Sofia
7-abr
3
2. O Método científico
    a) Conceitos gerais sobre: variável independente/dependente.
14-abr
4
    b) Tipos de pesquisa:
        · experimental
21-abr
FERIADO

28-abr
5
        ·  quantitativo-descritiva;
5-mai
6
        ·  exploratória
12-mai
7
        ·  qualitativa
19-mai
8
Painel geral
André e Sofia
26-mai
9
3. Implicações do "fazer ciência":
André
    a) o que é Ciência?
2-jun
10
    b) diferenças entre problema, método e teoria;
9-jun
11
    c) bases empíricas e conceituais
16-jun
12
    d) o papel social da pesquisa científica;
23-jun
FERIADO

30-jun
13
    e) formas de divulgação científica
7-jul
14
    f) pesquisa em Ciência da Informação como conhecimento e como ação
14-jul
15
Painel geral
André e Sofia


Para a minha parte será usado, como livro-texto, o "Olhar no Espelho" de Eduardo Tomanik. Afim de evitar o exercício de cópias desautorizadas será feito um pedido à editora, que poderá, se houver interesse , ser ampliado para outros interessados daqui de Brasília. Como há a necessidade de fechar lista de interessados, arrecadar $$$, fazer o pedido, aguardar o frete e redistribuir os exemplares a tempo de ler os primeiros capítulos para o dia 26 de maio, é necessário que a manifestação de interesse e confirmação seja feita com brevidade . Favor indicar no campo comment e-mail para contato caso deseje pegar carona no frete da turma. Atenção: os alunos regulares NÂO DEVEM preencher esse campo. Devem entrar direto em contato comigo, por e-mail, conforme foi indicado em sala.

terça-feira, 22 de março de 2011

Trocando os pés pelas mãos - o fim do PROF


Conforme já anunciado antes por esse blog, em primeira mão (ver aqui), a informação de que a CAPES extinguirá o programa que sustenta a pós-graduação na UnB, o PROF, está confirmada. Na tarde de hoje, por convocação do Decanato de Pesquisa e Pós-graduação, estiveram reunidos os coordenadores dos quase 60 programas de pós-graduação da UnB, para começar a pensar em novas estratégias de sobrevivência para a pesquisa e formação em ciência e inovação em uma das mais importantes instituição federal de ensino superior. Pela extinção do PROF, o corte ao custeio de pesquisa será da ordem de 40%, mesmo para aqueles programas que nos últimos 3 anos tiveram uma avaliação de excelência e passaram a integrar o restrito grupo da nota 5. Os programas mais seletos ainda, nota 6 e 7, têm uma linha de financiamento específica. Tampouco houve incremento nas quantidades de bolsas, apesar do crescimento da pós-graduação no Brasil e apesar do exitoso "pibão". 

O impacto geral dos recentes cortes das contas públicas junto ao MEC foi da ordem de 10%, porém, no financiamento da pós-graduação a facada foi bem maior: 15%. Na UnB, algumas medidas drásticas já estão sendo tomadas, como, por exemplo, a não composição de bancas de mestrado com pesquisadores que requeiram gastos de deslocamento e diárias. Com isso a instituição vê-se obrigada a fechar-se para contatos  importantes e frutíferos intercâmbios de idéias e pesquisas com renomadas instituições, como, por exemplo, as universidades paulistas, no nível do mestrado. O esforço de alguns programas na consolidação de grupos de pesquisa (reconhecidos pelo CNPq) também dá um passo atrás, na medida que com possibilidades de intercâmbio mais restritas, a aceitação, a inclusão e, sobretudo, o trabalho colaborativo de pesquisadores de outras instituições em nossos grupos será, no mínimo, mais difícil. Em heróicos esforços de manutenção da qualidade, sei de  alguns desprendidos colegas que estão pagando do próprio bolso as despesas referentes a efetivação de arguidores externos. Sei de alunos que fizeram financiamento para poder participar, como expositores de trabalhos, em congressos internacionais, relevantes, levando o nome da UnB (e aumentando a produção de indicativos do CT&I do nosso amado governo). 

Paralelamente a esse movimento de interrupção da universidade, assistimos ao presidente Obama parabenizar ao Brasil pela Copa e pelas Olimpíadas de Verão (que deveremos!). No mesmo dia em que os coordenadores de programa foram obrigados a verem "cair a ficha" da extinção do PROF, a imprensa nacional, para arroubo de alguns auto-denominados "patriotas", noticiou que as bolsas da CAPES, criadas para sustentar a pesquisa em pós-graduação no Brasil, serão outorgadas a professores da educação básica (ver notícia aqui). Por essa mesma lógica, um pai de família que tivesse muitos filhos poderia comprar apenas roupa para um deles e ir fazendo rodízio. Assim, agora tiram-se as bolsas da universidade e passam-nas à educação básica... A matemágica tem ainda uma grande sacada embutida: o valor hoje da bolsa é insuficiente para viabilizar o papel científico previsto, porém bastante significativo para um professor da educação básica. Assim além de, pouco a pouco, ir calando os "chatos" da academia, caminha-se um pouco mais para a redução das desigualdades sociais sem, sequer ter que rever os valores das bolsas e sem mexer no salário da educação básica. Nem David Copperfield seria tão picareta.

Elocubrando a partir de algumas idéias do colega Flávio Sombra, que defende a tese de que o Brasil tem uma perna manca que atravanca o crescimento (ver aqui), fica a impressão de que, com as recentes medidas, o que nossos governantes ilustrados estão tentando fazer é fortalecer a perna manca à custa da amputação da perna boa. Será que não dava para fortalecer a perna manca à custa do aumento de 26,5% dos nossos representantes legislativos? Delfim falava em fazer crescer o bolo para depois dividir. O que vimos agora foi o sumiço do bolo e o sucateamento da capacidade de fazer mais bolos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Citar e referenciar para não cometer plágio


O cartoon acima, amplamente reproduzido pela Internet, bem ilustra um problema comum: o Ctrl+C Ctrl+V; o popular recorta e cola. A prática apresenta dois problemas principais: um de direitos autorais, outro de direitos comerciais, ou de divulgação. Quem infringir o primeiro estará, certamente, infringindo o segundo, porém a recíproca não é verdadeira. Por exemplo, mesmo sem ter os direitos de divulgação da imagem acima, como são feitas todas as referências autorais, não se pode acusar este blog de violar os direitos de autor e, portanto, de cometer plágio. Em defesa do segundo ponto, pode-se alegar, que apenas está reproduzida uma imagem de divulgação (uma amostra disponibilizada pelo site) de baixa resolução, para usos não comerciais.

O ponto principal, afeto a este blog, é o cuidado que a redação científica deve ter com relação ao uso das idéias e formatos de exposição das mesmas feitas por outrem. A frase "To be or not to be, that is the question" foi formulada por Shakespeare. A reprodução de tal frase, mesmo que traduzida, sem referência ao seu autor, pode ser encarada como plágio, porque reproduz, sem indicar a autoria (portanto atribuindo-a implicitamente ao seu plagiador) a idéia e formato de exposição da mesma. Caso a frase fosse apresentada assim "A principal questão reside no dilema ser/não-ser" não haveria plágio de forma, porém a idéia continuaria a ser apropriada indevidamente por alguém que não foi o responsável por sua elaboração.

No Brasil, infelizmente, dada o sistemático condicionamento ao qual os jovens são submetidos na elaboração das mal-fadadas "pesquisas escolares", os estudantes universitários inciantes, em boa fé e inocência, tendem a achar que copiar é pesquisar e que copiar bastante é fazer trabalhos universitários pré-científicos. O recurso dos textos eletrônicos e do copy & paste, neste aspecto, só piora a situação. Muitas vezes é muito difícil definir o que é plágio e o que não é, em função de definições legais, muitas vezes relacionadas à obtenção de vantagens pecuniárias e à má-fé na realização da cópia. Muitos são os colegas docentes que se vêem em saias-justas quando se deparam com trabalhos copiados da Internet, de colegas docentes ou até mesmo de colegas discentes. A primeira atitude educativa geralmente é explicar e ensinar para aquele aluno que isso não se faz, que além das implicações éticas existem problemas legais mais sérios etc. etc. etc. Em outras situações, mesmo quando não mais é possível presumir a boa-fé do plagiador, a cultura acadêmica nacional dificulta a aplicação de sanções disciplinares (também educativas) mais severas. No final da escala há os plágiadores profissionais (não os semi-profissionais, que vendem trabalhos pela Internet) que se aproveitam de dados e informações alheias para alavancar carreiras intelectuais, conseguir patrocínios, verbas de pesquisa, patentes etc., como foi o exemplo da USP que veio à tona (um em um milhão) recentemente (ver post do CB aqui).

Na tentativa de começar a coibir a prática antes que ela possa atingir degraus mais elevados, o Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UnB, em sua recente reormulação do regulamento (disponível aqui), tornou explícito que a realização de cópias de textos indevidamente referenciadas é passíveis de desligamento: "Artigo 20. Entende-se como uma infração disciplinar, passível de desligamento do programa, (...) o ato do aluno, comprovadamente, apresentar textos em cumprimento de exigências do programa e/ou disciplinas que contenham cópias de textos de  outrem sem o devido estabelecimento de autoria, feitas deliberadamente  com o intuito de apropriar-se do trabalho intelectual de outra pessoa.". Em outras realidades esse tipo de regulamentação é padrão, porém no Brasil não é usual.

Existem diferentes tipos de plágio, porém o pesquisador iniciante deve tomar sempre muito cuidado em referenciar suas fontes (preferencialmente citando-as em conformidade com as normas da ABNT - ver post sobre isso aqui). O artigo de Loveleena Rajeev, que além de trazer a ótima imagem da esquerda, publicado no portal Buzzle.com traz uma listagem resumida da diversidade de possibilidades (acesse o artigo aqui). Há ainda muito material disponível na Internet que pode orientar sobre o assunto, como por exemplo o site Plagiarism dot Org, que é bastante explicativo e didático. Outra referência interessante, e bem divertida, é um vídeo feito na Universidade de Bergen, na Noruega, que pode somar no processo educativo dos novos pesquisadores, quanto à referenciação correta da autoria de frases e idéias: