Ambiente virtual de debate metodológico em Ciência da Informação, pesquisa científica e produção social de conhecimento

quinta-feira, 24 de março de 2011

Início da turma 1/2011

copiado do blog "The secret Sun"

Hoje, após alguma indefinição quanto aos alunos especiais a serem aceitos na turma, a disciplina de Metodologia, destinada aos alunos regulares do mestrado em Ciência da Informação da UnB, enfim recomeçou, com uma nova turma. O programa atual está compartilhado com a Profa. Sofia Galvão Baptista, que se encarregará de ajudar ao alunos na consolidação dos projetos iniciais de pesquisa. Em um segundo momento, eu me encarregarei de estimular um processo de análise e discussão conceitual, com vistas à reflexão analítica dos alunos sobre os limites de seus projetos.

Como "aperitivo" desta discussão hoje assistimos ao primeiro episódio do seriado "Arquivo X" para estimular a discussão sobre o enfoque científico e a necessidade de provas para a compreensão de um fato (Dana Scully) em contraposição à uma pré-definição anterior ao fato, direcionadora (e seletiva) da interpretação dos elementos investigados para a sua comprovação (Fox Mulder). O vídeo (episódio piloto, da primeira temporada) leva pouco de menos de 50 minutos. Aqueles que não possuem acesso a ele e quiser rever o exercício podem exercitar o inglês em um versão com som original e legendas em vietnamita que encontrei na web. Para não infringir direitos de divulgação, este blog limita-se a incorporar o link apenas: http://www.viddler.com/explore/kso1/videos/12/

O curso tem o seguinte cronograma preliminar:

Data
nª da aula
Tópico
Responsável
24-mar
1
Abertura
André e Sofia
31-mar
2
1. A Ciência e o conhecimento científico:
Sofia
7-abr
3
2. O Método científico
    a) Conceitos gerais sobre: variável independente/dependente.
14-abr
4
    b) Tipos de pesquisa:
        · experimental
21-abr
FERIADO

28-abr
5
        ·  quantitativo-descritiva;
5-mai
6
        ·  exploratória
12-mai
7
        ·  qualitativa
19-mai
8
Painel geral
André e Sofia
26-mai
9
3. Implicações do "fazer ciência":
André
    a) o que é Ciência?
2-jun
10
    b) diferenças entre problema, método e teoria;
9-jun
11
    c) bases empíricas e conceituais
16-jun
12
    d) o papel social da pesquisa científica;
23-jun
FERIADO

30-jun
13
    e) formas de divulgação científica
7-jul
14
    f) pesquisa em Ciência da Informação como conhecimento e como ação
14-jul
15
Painel geral
André e Sofia


Para a minha parte será usado, como livro-texto, o "Olhar no Espelho" de Eduardo Tomanik. Afim de evitar o exercício de cópias desautorizadas será feito um pedido à editora, que poderá, se houver interesse , ser ampliado para outros interessados daqui de Brasília. Como há a necessidade de fechar lista de interessados, arrecadar $$$, fazer o pedido, aguardar o frete e redistribuir os exemplares a tempo de ler os primeiros capítulos para o dia 26 de maio, é necessário que a manifestação de interesse e confirmação seja feita com brevidade . Favor indicar no campo comment e-mail para contato caso deseje pegar carona no frete da turma. Atenção: os alunos regulares NÂO DEVEM preencher esse campo. Devem entrar direto em contato comigo, por e-mail, conforme foi indicado em sala.

terça-feira, 22 de março de 2011

Trocando os pés pelas mãos - o fim do PROF


Conforme já anunciado antes por esse blog, em primeira mão (ver aqui), a informação de que a CAPES extinguirá o programa que sustenta a pós-graduação na UnB, o PROF, está confirmada. Na tarde de hoje, por convocação do Decanato de Pesquisa e Pós-graduação, estiveram reunidos os coordenadores dos quase 60 programas de pós-graduação da UnB, para começar a pensar em novas estratégias de sobrevivência para a pesquisa e formação em ciência e inovação em uma das mais importantes instituição federal de ensino superior. Pela extinção do PROF, o corte ao custeio de pesquisa será da ordem de 40%, mesmo para aqueles programas que nos últimos 3 anos tiveram uma avaliação de excelência e passaram a integrar o restrito grupo da nota 5. Os programas mais seletos ainda, nota 6 e 7, têm uma linha de financiamento específica. Tampouco houve incremento nas quantidades de bolsas, apesar do crescimento da pós-graduação no Brasil e apesar do exitoso "pibão". 

O impacto geral dos recentes cortes das contas públicas junto ao MEC foi da ordem de 10%, porém, no financiamento da pós-graduação a facada foi bem maior: 15%. Na UnB, algumas medidas drásticas já estão sendo tomadas, como, por exemplo, a não composição de bancas de mestrado com pesquisadores que requeiram gastos de deslocamento e diárias. Com isso a instituição vê-se obrigada a fechar-se para contatos  importantes e frutíferos intercâmbios de idéias e pesquisas com renomadas instituições, como, por exemplo, as universidades paulistas, no nível do mestrado. O esforço de alguns programas na consolidação de grupos de pesquisa (reconhecidos pelo CNPq) também dá um passo atrás, na medida que com possibilidades de intercâmbio mais restritas, a aceitação, a inclusão e, sobretudo, o trabalho colaborativo de pesquisadores de outras instituições em nossos grupos será, no mínimo, mais difícil. Em heróicos esforços de manutenção da qualidade, sei de  alguns desprendidos colegas que estão pagando do próprio bolso as despesas referentes a efetivação de arguidores externos. Sei de alunos que fizeram financiamento para poder participar, como expositores de trabalhos, em congressos internacionais, relevantes, levando o nome da UnB (e aumentando a produção de indicativos do CT&I do nosso amado governo). 

Paralelamente a esse movimento de interrupção da universidade, assistimos ao presidente Obama parabenizar ao Brasil pela Copa e pelas Olimpíadas de Verão (que deveremos!). No mesmo dia em que os coordenadores de programa foram obrigados a verem "cair a ficha" da extinção do PROF, a imprensa nacional, para arroubo de alguns auto-denominados "patriotas", noticiou que as bolsas da CAPES, criadas para sustentar a pesquisa em pós-graduação no Brasil, serão outorgadas a professores da educação básica (ver notícia aqui). Por essa mesma lógica, um pai de família que tivesse muitos filhos poderia comprar apenas roupa para um deles e ir fazendo rodízio. Assim, agora tiram-se as bolsas da universidade e passam-nas à educação básica... A matemágica tem ainda uma grande sacada embutida: o valor hoje da bolsa é insuficiente para viabilizar o papel científico previsto, porém bastante significativo para um professor da educação básica. Assim além de, pouco a pouco, ir calando os "chatos" da academia, caminha-se um pouco mais para a redução das desigualdades sociais sem, sequer ter que rever os valores das bolsas e sem mexer no salário da educação básica. Nem David Copperfield seria tão picareta.

Elocubrando a partir de algumas idéias do colega Flávio Sombra, que defende a tese de que o Brasil tem uma perna manca que atravanca o crescimento (ver aqui), fica a impressão de que, com as recentes medidas, o que nossos governantes ilustrados estão tentando fazer é fortalecer a perna manca à custa da amputação da perna boa. Será que não dava para fortalecer a perna manca à custa do aumento de 26,5% dos nossos representantes legislativos? Delfim falava em fazer crescer o bolo para depois dividir. O que vimos agora foi o sumiço do bolo e o sucateamento da capacidade de fazer mais bolos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Citar e referenciar para não cometer plágio


O cartoon acima, amplamente reproduzido pela Internet, bem ilustra um problema comum: o Ctrl+C Ctrl+V; o popular recorta e cola. A prática apresenta dois problemas principais: um de direitos autorais, outro de direitos comerciais, ou de divulgação. Quem infringir o primeiro estará, certamente, infringindo o segundo, porém a recíproca não é verdadeira. Por exemplo, mesmo sem ter os direitos de divulgação da imagem acima, como são feitas todas as referências autorais, não se pode acusar este blog de violar os direitos de autor e, portanto, de cometer plágio. Em defesa do segundo ponto, pode-se alegar, que apenas está reproduzida uma imagem de divulgação (uma amostra disponibilizada pelo site) de baixa resolução, para usos não comerciais.

O ponto principal, afeto a este blog, é o cuidado que a redação científica deve ter com relação ao uso das idéias e formatos de exposição das mesmas feitas por outrem. A frase "To be or not to be, that is the question" foi formulada por Shakespeare. A reprodução de tal frase, mesmo que traduzida, sem referência ao seu autor, pode ser encarada como plágio, porque reproduz, sem indicar a autoria (portanto atribuindo-a implicitamente ao seu plagiador) a idéia e formato de exposição da mesma. Caso a frase fosse apresentada assim "A principal questão reside no dilema ser/não-ser" não haveria plágio de forma, porém a idéia continuaria a ser apropriada indevidamente por alguém que não foi o responsável por sua elaboração.

No Brasil, infelizmente, dada o sistemático condicionamento ao qual os jovens são submetidos na elaboração das mal-fadadas "pesquisas escolares", os estudantes universitários inciantes, em boa fé e inocência, tendem a achar que copiar é pesquisar e que copiar bastante é fazer trabalhos universitários pré-científicos. O recurso dos textos eletrônicos e do copy & paste, neste aspecto, só piora a situação. Muitas vezes é muito difícil definir o que é plágio e o que não é, em função de definições legais, muitas vezes relacionadas à obtenção de vantagens pecuniárias e à má-fé na realização da cópia. Muitos são os colegas docentes que se vêem em saias-justas quando se deparam com trabalhos copiados da Internet, de colegas docentes ou até mesmo de colegas discentes. A primeira atitude educativa geralmente é explicar e ensinar para aquele aluno que isso não se faz, que além das implicações éticas existem problemas legais mais sérios etc. etc. etc. Em outras situações, mesmo quando não mais é possível presumir a boa-fé do plagiador, a cultura acadêmica nacional dificulta a aplicação de sanções disciplinares (também educativas) mais severas. No final da escala há os plágiadores profissionais (não os semi-profissionais, que vendem trabalhos pela Internet) que se aproveitam de dados e informações alheias para alavancar carreiras intelectuais, conseguir patrocínios, verbas de pesquisa, patentes etc., como foi o exemplo da USP que veio à tona (um em um milhão) recentemente (ver post do CB aqui).

Na tentativa de começar a coibir a prática antes que ela possa atingir degraus mais elevados, o Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UnB, em sua recente reormulação do regulamento (disponível aqui), tornou explícito que a realização de cópias de textos indevidamente referenciadas é passíveis de desligamento: "Artigo 20. Entende-se como uma infração disciplinar, passível de desligamento do programa, (...) o ato do aluno, comprovadamente, apresentar textos em cumprimento de exigências do programa e/ou disciplinas que contenham cópias de textos de  outrem sem o devido estabelecimento de autoria, feitas deliberadamente  com o intuito de apropriar-se do trabalho intelectual de outra pessoa.". Em outras realidades esse tipo de regulamentação é padrão, porém no Brasil não é usual.

Existem diferentes tipos de plágio, porém o pesquisador iniciante deve tomar sempre muito cuidado em referenciar suas fontes (preferencialmente citando-as em conformidade com as normas da ABNT - ver post sobre isso aqui). O artigo de Loveleena Rajeev, que além de trazer a ótima imagem da esquerda, publicado no portal Buzzle.com traz uma listagem resumida da diversidade de possibilidades (acesse o artigo aqui). Há ainda muito material disponível na Internet que pode orientar sobre o assunto, como por exemplo o site Plagiarism dot Org, que é bastante explicativo e didático. Outra referência interessante, e bem divertida, é um vídeo feito na Universidade de Bergen, na Noruega, que pode somar no processo educativo dos novos pesquisadores, quanto à referenciação correta da autoria de frases e idéias:


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Será que o Web Qualis é o melhor indicador?

O sonho positivista de indexar o mundo continua cada vez mais presente na atual política de pós-graduação nacional. Não apenas indexar, porém classificar e valorar. Grosso modo a qualidade dos programas de pós é aferida por suas publicações em periódicos especializados. O problema reside em como valorar todos os periódicos potenciais de acolherem publicações dos docentes, alunos e egressos de um programa de uma dada área. A listagem disponível no sistema Web Qualis (acesse aqui), busca ser extensiva em relação ao universo das publicações informadas pelos programas na coleta anual de dados. Os critérios de valoração foram definidos após várias rodadas de discussões nos comitês de área e são aplicados a totalidade do universo em análise. Apesar das boas intenções, vários problemas estão intricados em tal sistemática:
  • As áreas não são homogêneas e os comitês jamais darão conta de representar a totalidade dos veículos de divulgação.
  • Não é possível valorar sem distorções a importância de cada veículo posto que os comitês de área não são homogêneos e existem muitas especificidades localizadas dentro de cada área.
  • Os critérios aplicáveis a uma área não são transponíveis automaticamente às demais.
  • O comitê responsável por valorar e classificar os periódicos não é formado por especialistas em cientometria e nem se dedica exclusivamente a tal tarefa.
  • O sistema dá valores distintos para formatos impressos e digitais dos periódicos, como se o conteúdo fosse diferente.
  • A inclusão de um periódico "fora da lista" é trabalhosa e nem sempre possível de ser feita em tempo hábil de ser avaliada.
  • Por essa razão algumas áreas estão apresentando uma concentração excessiva da produção em alguns periódicos, dificultando a ampliação do debate em novos veículos.
  • A valoração em periódicos listados na área desestimula o debate intersdiscilpinar e "desvaloriza" as publicações em veículos de outras áreas, mesmo que apresentem qualidades superiores.
Os pesquisadores nacionais são obrigados a manterem-se vigilantes em suas publicações e sempre checar o o Web Qualis antes da submissão de um artigo. Por não ser uma listagem elaborada por profissionais cientometristas, ela apresenta algumas distorções que confundem o autor desavisado. Vamos analisar, à guisa de exemplo, a revista interdisciplinar, da área de humanidades, Universum, da Universidade de Talca, no Chile. Esse periódico, na antiga tabela de avaliação da CAPES era valorada no topo, como "A Internacional". Entre uma submissão que fiz e a publicação do artigo a CAPES implantou uma nova sistemática e a revista passou a ser "B5", ou seja pouco mais do nada. Na revisão feita no ano passado a revista passou a ter duas classificações "B5" para a edição on-line, que circula mais, e "B1" para a edição impressa. Passou a apresentar importantes variações de área também. Para a História ela é "B1", mas apenas se o pesquisador prometer (não vale mentir) não ler o exemplar on-line. Para a Ciência Política e para as Relações Internacionais ela continua sendo "B5". Acredito que o pesquisador deve prometer (também sem mentir) que não estudará Ciência Política ou Relações Internacionais com visão retrospectiva à História. Na minha área há uma revista, cujo último número publicado é de 2008 "vale" "B3". Por essa lógica o artigo que lá publiquei (esse aqui) seria mais importante do que o da revista chilena (esse aqui); não para mim e não para o retorno que tenho tido com um e com outro.

A despeito da sempre controversa questão da avaliação e do ranqueamento, parece lógico que quaisquer ferramentas adotadas para valorar a pós-graduação em termos de produtividade deveriam ser elaboradas por profissionais para terem mais consistência. O laboratório SCImago dedicas-se à análise cientométrica de de publicações, repositórios universidades etc. (acesse aqui). No caso dos periódicos permite traçar diverentes gráficos comparativos, construídos com parâmetros mais qualitativamente consistentes que os do Web Qualis. São, sobretudo, atualizados, independentemente da demanda deste ou daquele pesquisador haver publicado em determinado veículo. 

Vamos a uma nova comparação. Os periódicos "Ciência da Informação" e "Perspectivas em Ciência da Informação" são os tops nacionais da minha área. Tal fato reflete-se no Web Qualis, que os situa no estrato "A2" no comitê de Ciências Sociais Aplicadas I. Entretanto, conforme a área e conforme o formato de divulgação, o estrato pode chegar até o vergonhoso "C". Os mesmos periódicos pela metodologia do SCImago podem ser analisados comparativamente pelas referências, citações, contribuições internacionais, quantidade de artigos etc. Mais interessante ainda é poder ver tal comparação ao longo do tempo, aspecto não previsto pelo Web Qualis, o que possibilita entender, em determinado período qual era a importância relativa de determinado periódico ao invés de ser forçado a analisar uma produção antiga, com dados atuais.

Os gráficos comparativos a seguir indicam a análise do SCImago feita nas mencionadas revistas quanto à colaboração internacional, média de referências e o indicador SCImago que buscar poderar as diversas variáveis analisadas (clique nas imagens para ampliá-las).
Colaboração internacional


Média de referências


Indicador SCImago

Como pode ser visto, a despeito, da classificação da CAPES, as 3 revistas apresentam alguns indicativos quantitativamente similares e, em ao menos um caso, bastante antagônico. Não se trata de defender esta ou aquela maneira de classificar e valorar a produção científica, porém alertar que, para além das soluções caseiras (e impostas), existem muitas outras, que são, inclusive, internacionalmente reconhecidas e que podem apresentar resultados mais detalhados e significativos.


Outra coisa mais do que necessária é pensar nos limites da própria classificação da produção científica, sobretudo quando tal classificação implica em rankings e consequentes rateios de verbas. É sempre bom lembrar que em qualquer sistema de classificação, por mais perfeito que seja, sempre há um ornitorrinco que põe em xeque a lógica da representação do mundo. Em ciência, os ornitorrincos, justamente por exigirem um constante repensar sobre a realidade, são elementos fundamentais para evitar a estagnação e para fazer com que a ciência continue a ser ciência.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tudo o que você queria saber sobre redes sociais e sempre teve vergonha de perguntar


As redes sociais estão em toda as partes, até neste blog. Outro dia me deparei com a falta de referências básicas para quem quer sair da superfície e começar a ter uma compreensão um pouco mais séria sobre o tema. Maíra Murrieta Costa, colaboradora deste blog, passou-me uma série de referência bem interessantes para quem quer se iniciar. O primeiro texto que ela recomendou para leitura é uma manual bem didático, publicado pela WWF (baixe aqui), ideal para conhecer melhor o tema com uma pouquinho mais de seriedade. Na sequência fui direcionado para o texto "Uma introdução às Redes Sociais ", de Augusto de Franco (baixe aqui), um pequeno artigo que insere a questão no âmbito do debate político atual; muito interessante para refletir sobre os desdobramentos possíveis das novas formas de comunicação nos movimentos políticos e sociais do século XXI. O artigo me instigou a pensar sobre a influência das novas formas de comunicação na reviravolta política recente do mundo árabe. Do mesmo autor há ainda a indicação de uma reflexão sobre o poder das redes sociais (disponível aqui). Essa última referência, aliás, para quem está com pouco tempo, pode ser um bom começo.

Na área específica da Ciência da Informação a prestativa colaboradora indicou dois artigos: "Das redes sociais à inovação", da colega Inês Tomael, de Londrina (acesse aqui) e outro sobre fundamentos e transversalidades, de Regina Marteleto (disponível aqui). Indo por um caminho um pouco mais, diríamos transcendental, nossa guia indica ter adorado a obra "A teia da vida", de Fritjof Capra (acessível aqui, até quando?). Propondo um pouco mais de solidez conceitual e histórica, Maíra me indica um texto clássico de 1973 sobre a força das relações supostamente frágeis (baixe aqui o trabalho de Mark Granovetter). 

É licito supor que uma prospecção à bibliografia até aqui apresentada permitirá um considerável avanço propedêutico, impulsionando o estudo para subtópicos mais específicos, como por exemplo, a questão da produção colaborativa e a descentralização da produção do saber. A obra indicada, Wikinomics, de Don Tapscott, infelizmente não está descentralizada quanto ao acesso pleno (aberto ou pirata) via web. Há uma série de referências (como esse blog aqui), resenhas e amostras da obra (algumas boas aqui, até quando?), todas com remissão a algum site para compra do livro :(  Ainda sobre o tema das redes sociais e a Internet, há a indicação do livro de Raquel Ricupero (pdf disponível aqui), com a ressalva de que a edição on-line apresenta problemas de revisão, sendo preferível adquirir a cópia impressa.

Quem quiser conhecer melhor a responsável pelas informações sintetizadas neste post pode acessar seu blog de pesquisa aqui.

EM TEMPO: hoje vi um e-mail, que me foi mandado há algum tempo pela minha amiga Carmem Barreira, que tem uma dimensão muito prática das redes sociais, como dirigente escoteira, que trazia um excelente vídeo introdutório de Augusto de Franco sobre o tema:


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cuidados com a revisão


Em post anterior (acesse aqui) foram anotados alguns problemas que a ausência de cuidado com a pontuação podem ocasionar no sentido das frases. A redação científica, como todos sabem, deve ser pautada pela precisão e pela clareza. Muitas vezes o iniciando em pesquisa acha que escrever "bem" é escrever "bonito", de modo empolado e confuso: ledo engano. Outra vezes o jovem pesquisador, ciente da próprias deficiências, contrata um serviço especializado: excelente decisão. O grande problema é conseguir separar o joio do trigo em um cenário repleto de picaretas. A situação é assaz grave em função do jovem autor não ter muito parâmetro do que é ou não um bom texto, já que ele, por natureza, tende a ser inseguro quanto a isso.

Recebi, à pouco, um e-mail de uma suposta revisora. O texto de apresentação profissional, como diriam os mineiros, é "ruim demais da conta gente". Para evitar um possível processo por expor a verdade nua e crua omiti os dados que pudessem levar à identificação da "profissional". Eis o texto recebido:

clique na imagem para ampliar

Quase joguei fora, depois ensaiei uma resposta e, por fim, resolvi externar minha "revisão" na mensagem abaixo:
clique na imagem para ampliar

Não sou nenhuma Dad Squarisi e este blog deve estar cheio de falhas de revisão. A diferença é que aqui, dada a própria dinamicidade da ferramenta, os textos são postados sem revisão. O erros, quando identificados, são imediatamente corrigidos. Os artigos que submeto a periódicos e congressos, por outro lado, sempre passam por uma revisão, que não é a da Fulana de Tal e, dependendo da importância do veículo, custa bem mais que os absurdos R$ 5,00 por folha anunciados (uma monografia meia-boca de 50 páginas vai "demandar" R$ 250,00 para um serviço com a qualidade "De Tal"?). 

Quando fui coordenador de editora universitária sempre me vali de bons revisores. Alguns bem indicados por  outros professores e outros que tomavam a liberdade, como a Sra. De Tal, de se apresentarem por e-mail. A diferença é que todos eles tinham um "cartão de visita" eletrônico impecável. Ja tive também alunos de jogaram dinheiro fora com revisores picaretas e que me apresentaram trabalhos inaceitáveis. Nesses casos, para infelicidade de meus alunos, fui irredutível em exigir que outra revisão fosse realizada. Ou seja, o barato, quando o assunto é revisão, sai caro e, geralmente, mal-feito.

Moral da história: cheque bem a qualidade do serviço de seu revisor, a começar pelo texto de apresentação. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

A perna manca do Brasil (só a perna?)

Clique na imagem para ler o texto do Prof. Saraiva

Em excelente artigo no Correio deste domingo, meu colega de Câmara de Pesquisa e Pós-graduação da UnB, o Prof. Ph.D. Flávio Sombra Saraiva, com a sua habitual perspicácia e precisão, retomou o tema da "perna-manca", utilizado na semana anterior para, metoforicamente explicar porque a atual onda de "crescimento" nacional está comprometida (acesse aqui a reportagem). No artigo de hoje o eminente professor detalha melhor alguns macro-problemas do modelo de desenvolvimento nacional, vigente há mais de um século. O paralelo com a UnB e o modelo de universidade perseguido (perseguido mesmo) não é diferente do que aquele que indiquei em comentário do post anterior, no qual fiz menção à Embrapa, como a exceção da pesquisa fora das universidades. Na tentativa de avançar a discussão sobre o desenvolvimento e seus entraves (representados pela perna-manca) teríamos que pensar, anatomicamente falando, ainda no cérebro, representado pela construção de conhecimento de ponta na universidades. 

Muitas vezes os "grandes" pensadores das grandes "soluções" para o Brasil se esquecem de pensar no dia-a-dia, como é o caso do salário dos professores (e não o dos juízes e deputados), a penúria dos bolsistas (alguns que ainda têm dívidas contraídas durante o Natal, quando houve um "apagão" em parte do sistema de pagamento de bolsas). É no dia-a-dia que se formam os pesquisadores de amanhã e que se produz, gota a gota, a inovação tecnológica. Sem ela, não há como produzir valor agregado comprometido com o desenvolvimento nacional. Os números que colocam o DF como um dos mais altos PIBs do país se esquecem de mostrar que tais índices vêm da circulação de dinheiros de impostos e de altos salários públicos (de impostos também, portanto) e não a produção de bens com valor agregado.

Hoje, fim de janeiro de 2011, a situação das IES federais é gravíssima. Os programas da UnB que acreditaram na possibilidade de transferir recursos não gastos em 2010 para 2011 se deram mal, posto que além de os orçamentos terem sido zerados eles ainda não foram abertos. Alguns programas pouparam recursos pensando em gastar melhor em 2011. O resultado foi uma perna mais do que manca com restrições em um ano e no outro. O pouco conhecimento de ponta que conseguimos, às duríssimas penas, produzir na pós-graduação depende, cada vez mais, de esforços abnegados de jovens pesquisadores. Uma das mais importantes conferências internacionais da área da Organização do Conhecimento aceitou a comunicação de um doutorando da UnB. Esse rapaz, por ter um projeto ligado à área da qualidade da informação em bibliotecas de saúde, pleiteou um auxílio ao Ministério da Sáude que foi negado. O tradicional apoio que o programa de pós ao qual ele se inscreve poderia dar obrigou-se a negar a solicitação de míseros 800 dolares para representar o programa e a UnB em uma conferência top na Índia, pela simples razão que o nosso orçamento ainda não foi liberado (e existem pressões para que a modalidade que hoje sustenta a pós na UnB, o programa PROF, seja extinta). Hoje não conseguimos montar bancas de mestrado com professores externos à Brasília, por conta de tais contingências. O prof Saraiva se pergunta (retoricamente) se algum dia termos um Nobel ministrando classes na UnB. Eu me pergunto quando é que vamos conseguir ter, de novo, um nome da USP, da UNICAMP, daqui do país mesmo, para compor um banca de mestrado e, eventualmente, dar uma palestra. 

O Brasil tem uma perna manca e um cérebro cada vez menos funcional. Os piratas, pelo contrário: tiram proveito da situação, mesmo com a perna manca. Os piratas, dos olhos de vidro (como alguns ufanistas da UnB, que só olham para um lado da questão), das pernas de pau, das caras de maus (e caras de pau mesmo), vão acumulando cada vez mais riquezas, entesourando-as, enquanto fazem a universidade pública andar na prancha, enquanto a galera vibra, entre um baseado e outro, porque as privadas nem na prancha estão.